Início » Actividades » Mergulho

Mergulho

por Ann Turner

Cardume de xaréus. Fotografia: Mark Mialszyngrosz.

Cardume de xaréus. Fotografia: Mark Mialszyngrosz.

Cardume de anthias. Fotografia: Mark Mialszyngrosz.

Cardume de anthias. Fotografia: Mark Mialszyngrosz.

Timor-Leste fica no coração do “triângulo de corais” Indo-Pacifico, casa para mais espécies de vida marinha do que qualquer outro lugar na terra. As águas límpidas e quentes que rodeiam a nação mais jovem do mundo, oferecem condições ideais para um delicado ecossistema de corais que suporta uma diversidade enorme de criaturas, do camarão mais pequeno ao maior tubarão-baleia. A costa norte de Timor-Leste encontra-se no limite de um precipício subaquático, o Estreito de Wetar, que é uma vala marítima com quase três quilómetros de profundidade e que oferece um corredor a animais pelágicos e migrantes: baleias, golfinhos, atuns e peixes-vela patrulham as águas do alto mar. Os corais costeiros são assim constantemente refrescados por água profunda que traz predadores e presa aos seus habitantes. Esta é a receita para um dos melhores lugares para a prática do mergulho.

Mergulhar em Timor-Leste pode ser tão simples quanto dar um passeio da estrada ao mar e tão excitante como um mergulho lado a lado com um cardume de barracudas. O cenário montanhoso à superfície do país repete-se também debaixo de água: falésias vertiginosas encontram-se com a praia que em poucos metros mergulha num coral espectacular que cai numa planície marinha de esponjas e gorgônias, percorrida por cardumes de peixes coloridos. A variedade do habitat leva a que haja uma grande diversidade de lugares de mergulho para entusiastas da biologia marinha e fotógrafos, tanto para os que procuram os seres mais pequenos e estranhos da natureza, como para mergulhadores que gostam de apreciar a grandeza da vida subaquática num dos recifes de coral mais saudável do mundo.

Casal de peixes-palhaço na praia do Cristo-Rei. Fotografia: Daniel Groshong.

Casal de peixes-palhaço na praia do Kristu-Rei (Cristo-Rei). Fotografia: Daniel Groshong.

Mergulho em Kom (Com). Fotografia: Daniel Groshong.

Mergulho em Kom (Com). Fotografia: Daniel Groshong.

Mergulhar da praia é fácil; na costa norte, há locais de mergulho sempre que os corais chegam à estrada. Alguns dos melhores lugares no país para fazer mergulho podem ser encontrados a uma hora de Dili (Díli), perto da vila de Metinaro. Os operadores de mergulho geralmente têm duas viagens diárias a estes locais.

O Jardim Secreto fica a apenas 40 minutos de viagem de carro de Díli, numa estrada com muitas curvas que abraça a costa. Os mergulhadores preparam o seu equipamento à sombra das palmeiras que adornam a praia, sob o olhar atento de cabras e gado que pasta por perto. Depois de nadar brevemente à superfície, mergulha-se para um jardim de corais que brilha com os raios filtrados de luz. Aqui podem-se encontrar peixes de coral de todas as cores, corais rijos e moles, esponjas e várias espécies de anémonas, cada uma destes com a sua colónia de peixes-palhaço. Rios sem fim de fusileiros brilhantes passam ao lado enquanto napoleões e roncadores-pintados se movem suavemente no limite da encosta. Este é um coral de mergulho tipicamente timorense; notável pela diversidade de animais, cada um no seu nicho, a crescer em águas límpidas e quentes.

A cinco minutos de carro do Jardim Secreto, encontra-se a Praia do Dólar, uma das melhores praias de areia branca do país. Esta praia é também a porta para um coral enorme e inclinado, igualmente bonito aos 5 e aos 30 metros. Os magníficos corais acropora estão organizados em camadas, com anthias coloridas a dançar por cima e com peixes-anjo a esconderem-se por baixo. Peixes-papagaio passam ao lado, arrancando bocados de coral com os seus bicos, moendo-o e criando uma fonte regular de areia branca para a praia. Mantas e raias voam por cima enquanto os tubarões do coral dormem a sesta nos patamares de areia a 20 metros. A Praia do Dólar é animada, com criaturas a passarem pelos rochedos, dando lugar a encontros casuais com tartarugas, lulas e xaréus-gigantes. A paragem de segurança pode ser o ponto mais alto do mergulho devido à oportunidade rara de encontrar dugongues que pastam nas camas adjacentes de relva de mar. Timor-Leste tem a sorte de ter uma população residente destes simpáticos mamíferos marinhos – muitas vezes chamados vacas do mar – que estão em vias de extinção a nível mundial.

Recife de coral no K41. Fotografia: Rob Swanson.

Recife de coral no K41. Fotografia: Rob Swanson.

O K41, como o seu nome sugere, é um local de mergulho a 41Km a leste de Díli, na aldeia de Behau. Entrando por uma praia de pedras ao pé de árvores de borracha, os mergulhadores encontram uma parede de coral a poucos passos da praia. Uns quilómetros mais a leste, a Rocha do Bob é outro ponto de entrada fácil. Em ambos os locais, o mergulho pode ser feito com a maré-cheia ou vazia e apela a todo o tipo de mergulhadores dada a variedade impressionante de criaturas e habitats, que variam de jardins de coral a paredes íngremes. Biólogos marinhos e fotógrafos à procura de animais raros encontram muito com que se ocupar nestes locais, já que podem observar, entre outros, o cavalo-marinho pigmeu, nudibrânquios, zagaias e enguias-de-jardim.

Mais a leste, no Whale Shark Point (também conhecido por Árvore Solitária), os mergulhadores experientes podem vir a ter encontros excitantes com animais muito grandes. Este local à beira da estrada tem uma forte corrente que ocasionalmente traz tubarões-baleia, orcas e mantas, sobretudo durante os meses de Agosto a Novembro.

Entre Com e a ilha que marca o ponto mais a leste de Timor-Leste, Jaku (Jaco), pode também encontrar pontos de mergulho espectaculares. A viagem de carro até Kom (Com) demora cerca de 4 horas. Geralmente os mergulhadores pernoitam ou ficam mais tempo para explorar as praias fabulosas, os corais abundantes e a encontrar tubarões e mantas numa paisagem marítima de corais duros e moles de enorme beleza.

A ilha de Ataúru (Ataúro) fica a cerca de uma hora de lancha de Dili (Díli) e situa-se também na auto-estrada pelágica, que provoca grande animação quer à superfície quer debaixo de água. Baleias e cardumes enormes de golfinhos acompanham, por vezes, os barcos de mergulho durante a travessia até à ilha. As águas de Ataúru (Ataúro) podem oferecer visibilidade até 40 metros, sempre com imensa actividade pelágica a acontecer. Na Ilha de Ataúru (Ataúro) é mais apropriado mergulhar de barco, abrindo oportunidades para mergulhos à deriva excitantes. Muitos mergulhadores passam alguns dias no alojamento de eco-turismo local, mas uma viagem de dois dias também pode ser facilmente organizada.

Raia pontilhada. Fotografia: Mark Mialszyngrosz.

Raia pontilhada. Fotografia: Mark Mialszyngrosz.

Mesmo os visitantes com pouco tempo podem ficar com uma ideia do que Timor-Leste tem para oferecer aos mergulhadores. A Rocha de Dili (Díli), a 15 minutos de carro a Oeste do centro da cidade, é um monte de pedras inclinado que entra para o mar, perto da estrada, e que serve de casa a garoupas, roncadores-pintados e peixes-leão. Ocasionalmente podem-se ainda observar tubarões, raias ou tartarugas. Apropriada para iniciados e peritos, a Rocha de Dili (Díli) é um local muito conveniente para o mergulho. Com corais excelentes aos oito metros de profundidade no lado oeste – uma boa escolha para um mergulho longo e pouco profundo – é muitas vezes o local privilegiado para a primeira experiência de oceano dos mergulhadores que frequentam os cursos de iniciação ao mergulho PADI, internacionalmente reconhecidos, que estão disponíveis em algumas das escolas de mergulho de Díli. Os centros podem também organizar mergulhos de exploração para mergulhadores experientes que queiram descobrir novos locais de mergulho neste incrível e rico coral que tanto tem ainda para nos mostrar.